terça-feira, 15 de maio de 2018

Resenha: The Enigma of Amigara Fault

Olá pessoal. Dessa vez, por incrível que pareça...não faz um tempo que não nos vemos, não é? Haha. 

//Esteja ciente que existem spoilers, já que retratarei uma obra curtíssima, mas acho que mesmo assim é necessário sua leitura para tirar as próprias conclusões.

Gostaria antes de tudo pedir desculpas pela longa introdução que nada tem a ver com o post, foi apenas algo que decidi pôr aqui (até por ser uma análise mais curta). Sintam-se livres para pularem se o quiserem, gostaria que fosse lido, porém.

Ultimamente, tenho sentido bastante a vontade de escrever, ao ponto de não saber me decidir sobre o que. Tenho passado muitos pensamentos de minha mente para o exterior (sites, papel, etc), coisa que nunca fazia (bem raramente, na verdade). Mostrei o meu blog para algumas pessoas que venho a trocar ideias também, acho pertinente as melhoras do blog, ter diferentes opiniões e conhecer se o que escrevo aqui, de fato é um bom conteúdo. Para quem não sabe, criei o Leigan! com 13 anos, em 2015 (sim, tenho 16 anos no momento). Apesar da baixa quantidade de artigos, o valor sentimental disso é muito para mim, aqui existem traços claros da minha evolução como escritor (ainda sou bem iniciante, não consigo encontrar palavrar melhor que essa...um "pinto" dentro do que procuro ser, aquilo que almejo).

Quando mais novinho ainda, cheguei a ter blogs, onde apenas escrevia coisas bobas e aleatórios, porém eram meus pensamentos da época. E foi naquele ano de 2015, em que acidentalmente descobri um blog chamado Overdrive!(clique no nome para acessar, vale a pena). Passei o dia todo lendo publicações dele, enviei uma mensagem para o autor elogiando todo aquele trabalho. Acabei por criar meu próprio blog, mesmo sabendo que é algo com pouco público atualmente (tem posts com menos de 20 visualizações, para se ter noção). Ainda assim, insisto na ideia até hoje. O que me importa é ter um espaço organizado, e...onde posso eternizar minhas ideias conforme minha vida se desenrolar. 

Aquele que mais agradeço por ter essas oportunidades é ao Matheus, autor do Overdrive!, não fosse ele, esse espaço seria inexistente. Não quero ser uma cópia dele, contudo, almejo melhorar cada vez mais para alcançar a qualidade dele, com meu próprio estilo de escrita - a minha visão. As vezes, até trocamos mensagens pelo facebook, ele sempre me traz novos horizontes sobre muitas coisas, além de ter me apresentado muitas obras que sou muito fã e pretendo falar no futuro (como Crows, Yakuza ou o universo SoulsBorne).

Obrigado a todos! Apesar de estar me sendo 2018 um ano bem apertado, estressante e cansativo, as ultimas semanas me trouxeram uma forte determinação para trazer conteúdo ao blog, então esperem posts como nunca antes!

Obrigado!

Enfim, indo ao que mais importa. Ontem, por recomendação, li um one-shot do Ito Junji (autor de Uzumaki, um curto mangá que li ano passado, recomendo para os fãs do gênero de terror) chamado "O Enigma da Falha de Amigara". Alguns aqui devem conhecer o autor por suas obras de terror (recentemente saiu um anime adaptando algumas, o nome é "Ito Junji: Collection"; vi apenas 2 episódios, interessantes, até. Talvez no futuro eu escreva sobre, aqui), são bizarras e com um ambiente muito bem trabalhado, totalmente coesos com o gênero. 

O mangá tem apenas um capítulo contendo algo em torno de 33 páginas, se me lembro bem.
Inicia-se contando que um terremoto na Prefeitura H (chuto Hiroshima, mas desimportante), qual devastou muitas cidades e vilas próximas, em seguida ao desastre, descobriu-se uma falha nas montanhas locais, especificamente em uma chamada "Amigara". O que podemos dizer como protagonista, se chama Owaki, que enquanto subia a montanha, encontrou uma jovem que atende pelo nome de Yoshida. Juntam-se em busca de encontrar a falha que viram na TV.



Ao chegarem no local se surpreendem com quem veem. Uma enorme parede rochosa com vários buracos em formatos de pessoas, tamanhos bem específicos e para pessoas específicas.


Tal como viram na TV. Crê-se que o terremoto fez com que essas estruturas saíssem do subsolo e se alastrassem a superfície. 

Os pesquisadores estavam tentando entender como funcionavam essas estruturas e onde terminariam. Tem-se uma conclusão inicial mutua: são estruturas antigas, feitas a muito tempo. E, por quem? Por quê? Que tipo de tecnologia foi usada, já que não se notam marcas de entrada (ou seja, ninguém foi escavando aquilo).

Um homem, chamado Nakagami se apresenta e diz ter encontrado seu buraco. Para provar tal afirmação, tira suas roupas e o adentra.



*Cliquem nas imagens para ampliar*











Nakagami não retorna, e os aparelhos usados pelos pesquisadores não o detectam mais. Um homem com estrutura corporal semelhante tenta buscá-lo, mas por não ser exato [o formato], volta após seguir 5 metros. Owaki sonha com ele, devido ao terremoto, o buraco teria sofrido alterações e o mesmo fica preso, não podendo avançar ou recuar.


É nesse momento que não existe apenas um suspense, mas o terror começa a surgir na leitura. O leitor imagina a situação (as vezes até consigo mesmo no lugar da personagem). Um buraco apertado, onde não é possível fazer mais movimento algum, talvez frio, o desespero de saber que terá de sofrer lá, pensando isoladamente. Abandonado, talvez a falar com a própria mente em vão. Não existe salvação ou sequer a possibilidade de ser ouvido. Nunca saberão que lhe ocorreu, até que um momento, o desespero se esvai com a morte. Bem, foi tudo um pesadelo, não é? Perguntas ficam no ar, e não são e nem devem sem respondidas, este ar de suspense e mistério deve existir.

A manhã chega, Owaki acorda e nem sinal do Nakagami. Temos uma notícia, Yoshida finalmente encontrou o buraco que se encaixa perfeitamente com sua silhueta. A curiosidade, talvez até mesmo mórbida lhe toma a mente, e a jovem começa a desesperadamente dizer que necessita estar lá, pois foi especialmente cavado para ela.

Tapa-se o buraco com pedras com o objetivo de impedir o adentramento de Yoshida.
Diria que é nesse momento que o leitor se pergunta: "Por que esses buracos medonhos atraem tanta curiosidade? Que espécie de atração é essa que eles exercem sobre cada indivíduo?"
Novamente, um pesadelo.
Owaki sonha com um possível motivo para a criação das bizarras estruturas.


Ter o corpo preso no buraco, impedido de regressar, apenas avançando em uma arcaica (mas ao mesmo tempo bastante complexa), forma de tortura. Em meio as gélidas rochas que compactam o seu corpo e aos poucos o distorce, te quebrando por completo, como se estive a fazer-te de lesma, contudo milagrosamente, não levando ao óbito.

Após uma visão assustadora dessas, o garoto acorda e nota que a Yoshida está desaparecida. As pedras foram retiradas, e obviamente se sabe que ela não retornará mais.



 Owaki, deprimido e sentindo o abandono tomando conta de si, encontra por acidente o próprio buraco. Muitos pensamentos tomam conta de sua mente em pouco tempo. Não é uma questão de haver escolha ou não, apenas um desespero. Todos já tivemos momentos em que desejávamos tomar medidas drásticas e ilógicas para enterrar nossos problemas de vez, entretanto, na maior parte das vezes existia algo maior que nos impedia - como o próprio esforço de fazer algo assim - por exemplo.


O caso aqui é diferente. A "solução" estava logo ali, bastava entrar e pronto.
Que lhe aguardaria? Seria como nos sonhos tidos? No fim, não importa. Nada mais parecia importar. Os pensamentos mórbidos tomaram sua cabeça e a escolha de um destino desse nível foi dele.

E, enfim, temos o fechamento do mangá com duas cenas importantes:

Encontra-se, ao outro lado da montanha, uma parede contendo silhuetas em um padrão específico, no entanto, bizarro. Não é algo que um ser humano conseguiria passar.

E, ao lançar a luz da lanterna em uma dessas falhas, vê-se algo vindo, vivo. Com olhos e tecido muscular. O que será? É óbvio que um humano, pode ser Nakagami, Yoshida ou Owaki. Não se sabe. (Particularmente, ponho Nakagami fora dessa equação, já que sua parede provavelmente foi danificada. E algo me diz ser Owaki). Sabemos que não importa, provavelmente o autor nem pensou nisso.



Como toda obra de terror do gênero, não são necessárias respostas no fim. Apenas um elemento surpresa com um gancho incompleto. Para que servem os buracos? Será que existe um para cada pessoa no mundo? Provavelmente não, apenas alguns escolhidos, logo...quem são e por quê? Realmente isso tem algo a ver com o passado dessas pessoas e por isso os buracos existem, seria o destino que em todas as vidas passassem por lá ou foram preparados independente do conceito de tempo? Como foram feitos, por quem...o que sai dos buracos ainda pode se dizer humano ou seria algo muito além...

Perguntas sem resposta, abertas para a interpretação da imaginação do leitor, e claro, causando pensamentos como medo e insegurança. A depender, por alguns dias haha.

Mesmo isso sendo uma resenha, recomendo que leiam mesmo assim, pois entenderão a atmosfera da obra. Para mim, é um ótimo início no mundo de Ito Junji. Caso acabem por ler e gostem, recomendo que tentem Uzumaki depois.

É isso, espero que tenham gostado do post e que, em breve eu esteja de volta. 

Um abraço!


P.S.: Provavelmente esse fim de semana trarei uma publicação sobre um mangá muito querido por certo tipo de leitores e com uma unanimidade quanto a sua genialidade. Não digo qual, apenas que é uma das diversas obras prometidas para chegar esse ano ao no Brasil. Fui!!

terça-feira, 8 de maio de 2018

Death Note - Que é a Justiça?

Oi, pessoal. Estou de volta :)

Como de praxe, reclamando da minha vida (cada vez mais cansativa), porém ainda estou vivo!
Estou tentando me organizar um pouco...acho que consigo trazer posts mais frequentes cá.
Enfim, venho falar de um anime que gosto muito (apesar de não estar no meu top 10), ele é uma obra que trás várias questões bem interessantes sobre a sociedade como um todo.
Terminei hoje mesmo de ver Death Note, pela quarta vez. A primeira foi em 2012, a segunda em 2013, a terceira em 2016 e a quarta agora. Ainda estou para ler o mangá, contudo...
Ah...terão spoilers, pois meu objetivo é uma análise mais completa do material. Se ainda não assistiu DN, recomendo que o faça e depois leia esse artigo :)


Não enrolarei muito quanto a introdução, basicamente todo mundo assistiu ou ao menos ouviu falar de Death Note. Mangá publicado na WSJ em 2003 e encerrado em 2006, com 12 volumes. Anime de 2006, encerrado em 2007 com 37 episódios. 

A história é centrada no protagonista Light Yagami, que encontra um caderno chamado Death Note, onde se ele escrever o nome completo de uma pessoa (mentalizando sua face), o indivíduo morrerá da forma descrita (isto é, se for fisicamente possível) ou nos próximos 40 segundos, por parada cardíaca.

Então, após Light testar o uso do caderno em casa, decide se tornar uma espécie de punidor de todos os criminosos, objetificando criar um mundo "Justo e Ideal". Conforme foi "punindo" pessoas, um Shinigami (Deus da Morte) aparece. Ele é o verdadeiro detentor do caderno, mas não pode pegá-lo de volta enquanto estiver na posse de um humano, mas resolve observar o que Light pretende fazer com o objeto.

Ryuuk, o shinigami que acompanha Light.
Conforme as mortes pelo caderno são noticiadas por jornais e televisões em todo o globo, Light (como assassino anônimo) se torna popular (principalmente pela internet). Sendo por isso chamado de KIRA (Uma leitura de Killer - assassino em inglês - como uma palavra nipônica).

É claro que as autoridades começaram a se mobilizar e um detetive de primeira se envolveu com o "Caso Kira". Chamado de L, conhecido por ter resolvido todos os casos em que se envolveu.


Essa é a trama de DN basicamente. Kira tentando matar para pôr seus ideias em prática e L buscando descobrir a identidade do assassino, com apoio da polícia do Japão e de outras unidades investigativas (como o FBI).

São apenas detalhes para se lembrar.

Depois que vi DN um pouco mais velho (a vez em 2016, em que eu havia 14 anos), pensei: "Curioso, como Death Note se tornou tão popular?". Geralmente as pessoas se atraem pela obra pelo suspensa na trama, o fator surpresa. E claro, o caderno que mata pessoas.

Mas não é sobre isso (somente). Death Note é um trabalho psicológico, a obra busca abrir uma discussão sobre o conceito de Justiça. Como diz a frase (erroneamente atribuída ao Maquiavel) "Os fins justificam os meios". Será?

Light, L, Near, Mello, as agências investigativas quase como um todo...ninguém possui a justiça. É algo bem cinza, um meio termo.
Contudo, digo certamente que existem personagens realmente justos na obra. "Nesse mundo as pessoas corretas como ele que lutam pela justiça sempre perdem". Essa é uma das frases ditos pelo protagonistas no episódio final, se referindo ao próprio Pai, Soichiro Yagami. 

Uma coisa é fato: Kira não é a Justiça. Ele usa da vida de outras pessoas (tanto as matando com o Death Note, como por manipulação psicológica, chegando a sacrificar o próprio pai - qual ele realmente amava - almejando cumprir seus objetivos) para ser sucedido. Moralmente, pode ser errado como não, pois moral é relativa. Eticamente, porém, isso é incorreto, e no fundo, a noção de certo e errado (da forma mais primitiva) existe dentro do consciente de cada ser humano, mesmo que esse tenha vivido em isolação social, basicamente. Ele sabe que é necessário certos sacrifícios para conquistar algo tão grande, e bonito (oras, um mundo pacífico, onde ninguém teme viver). Mesmo usando a argumentação de quem fins justificam meios, Light é derrubado logo no início por uma frase de Ryuuk (que muitos devem ter deixado passar despercebida). Não me lembro as exatas palavras, mas era algo como "Qual o sentido disso, se você não poderia viver nesse mundo". Isso foi ignorado pelo protagonista...que retrucou com um "É claro que viveria, pois serei o Deus do Novo Mundo!" Não há que comentar aqui, tirem suas próprias conclusões. 

Sobre L, não há muito o que se falar. O próprio reconhece que suas ações não são honrosas, usa de métodos sujos para resolver o caso (contratando criminosos, como a Wedy e Aiber; estando de acordo com a perda de certas vidas, contanto que ajudasse a acelerar o resolvimento do caso...). Não vejo muita diferença entre ele e Kira, sinceramente. Claro, L não é tão iludido no que faz e reconhece que o mundo é impuro e que nem por isso significa que possam ser tomadas medidas drásticas e/ou extremas para se eliminar o Mal. Talvez seja algo que ocorrerá naturalmente? E de todo modo, ele estava certo da identidade de seu alvo. Mas sendo alguém (claramente) solitário, é difícil se desapegar da única vez que encontrou alguém que raciocina como ele, mesmo que com objetivos diferentes.

Near e Mello são duas crianças, um não precisa nem se comentar dos métodos absurdos que usou. O outro, egoísta e sem o mínimo de empatia e lotado de ego. Quem é quem?



Na verdade, não importa. Funcionam como um único personagem, pois no fundo os dois são um pouco vazios. A trama desenvolveu demais os outros personagens, que esses dois ganharam pouco (ou arrisco dizer...nenhum) desenvolvimento. Near tem bastante tempo de tela, mas nenhuma personalidade. E não é por ser (possivelmente) sociopata. Simplesmente os autores de DN parecem ter preferido deixá-lo assim, gerando carisma algum no personagem, fazendo com que seu arco fique totalmente dependente de outros personagens (como o Mikami). Mello possui uma personalidade bem forte, o que o difere bastante de L ou Near, mas seu tempo de tela é tão ínfimo, que se tornou invisível, esquecível. Vi apenas roteirismo agindo sobre os dois, suas ações foram convenientes e me parecem que sem lógica humana, sabe? O L tinha deduções que faziam sentido humanamente (mesmo que muitas vezes houvessem opções mais lógicas, o que estranhava ele escolher as menos prováveis). Seus sucessores, principalmente N, parecem robôs programados com roteiro. "Ah, mas eles são gênios, únicos, frios, calculistas e muito inteligentes!". Isso não existe.

Os membros da Polícia Japonesa+L, da Equipe do Mello, da SPC (ou seja lá como é o nome da equipe de Near no original haha) são todos movidos pelas ideias de seus líderes. Misa não é exceção.

Aonde quero chegar com tudo isso? Talvez uma das maiores discussões de Death Note seja a Justiça. Que é o certo? Que é errado? Existem extremos em DN, e nenhum deles age justamente mais, e sim pelos próprios ideais. Justiça é a capacidade idealizada de se julgar. Imparcialmente, apaticamente e logicamente. Boa oratória com (falsos) bons argumentos, com um pouco de realidade define a Justiça cinza de Death Note.

Entretanto, existem três personagens que EU considero bons e justos na obra:


Soichiro Yagami, o pai do Light. O único personagem que sempre duvida dos métodos usados a sua volta, sempre busca resolver o caso da forma mais íntegra possível. Não acusa sem provas, e mesmo quando elas existem, reavalia. Um bom homem, sinceramente...a morte dele é a única que me afeta da mesma forma até hoje. É triste, sabe? Morre feliz, pensando que o filho é inocente. Sabendo que sua família o ama. Para mim a única coisa que faltou, foi uma cena de enterro bonita para ele.

Os outros dois se corrompem com o tempo, mas não os desqualifica. 



Touta Matsuda, por muitos chamado de inútil. Matsuda é jovem, ingênuo e inocente. A única coisa que deseja é ser útil em meio a sociedade, resolveu arriscar não só sua carreira como policial calouro, mas a vida em prol de capturar o Kira. E diferente dos outros, não por motivos egoístas. Não é a toa que se confunde as vezes, chegando a achar que o alvo não é "de todo mal". Ele quer fazer o que sente ser correto, contudo sempre acaba manipulado. No final, sucumbe não pelas próprias crenças, e sim pelo estresse que a influência de seus colegas de trabalho lhe causou. O que ele faz com Light no final (os disparos, e uma tentativa de assassinato) é reflexo de suas frustrações como policial. Matsuda era jovem, ingênuo e inocente. 


Teru Mikami, creio que seja meu personagem favorito de Death Note. Desde jovem com uma noção de justiça que eu considero pura. Mas tudo isso com o tempo, veio em troca de um mundo que o pisoteou. Seus esforços não compensavam em nada, até em um momento sucumbir em decepções e aceitar a realidade do mundo. Torna-se um adulto quase que programado. Seu desempenho em trabalho é ótimo, sempre pontual. Padrões diários; rotina fixa. Em determinado momento, Kira "surge em sua vida", e a esperança de um mundo Justo retorna. Mas cegamente, pois ele adota a mesma lógica do seu "Deus". Não há que se repetir agora, outro corrompido.


Por fim, gostaria de comentar a morte do Light. No mangá ocorre de outra forma, e não comentarei sobre.

Uma cena muito bonita.

Nos dois últimos episódios temos um protagonista encurralado. E quando aceita que está derrotado, enlouquece de vez, e no fim, caminhando rumo a sua morte (bem semelhante a Naomi Misora, que matara no episódio 7).

É quase poético ver a fatídica morte de Light Yagami. O fim de Kira. 
O que ocorreria se ele não morresse naquele momento? Não, certamente seria derrotado em breve, mesmo que por outros investigadores. Um dia morreria por causas naturais, talvez...Não dá para saber, e não importa, pois está morto.

E de que serviram todos os eventos na história da obra? Supondo que aquilo fosse tudo real. Nada.

Bem, fecho o post principal por aqui :)

Espero que tenham gostado.

Aqui segue uma das cenas cortadas do anime, mas que estão nos BDs de Death Note. Existem outras e podem ser facilmente encontradas no Youtube.



Um abraço, espero voltar logo!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Diggy-MO'

Oi, pessoal!

Faz um tempo, não faz? Bem, aqui estou eu.
Admito estar um pouco desanimado, falta de tempo, as publicações do blog contam com poucas visualizações...mas, não há porquê desistir. 

Enfim, hoje (23/03) é o aniversário de 40 anos do Diggy-MO' !! Para quem leu o post sobre SOUL'd OUT (basta clicar no nome do grupo que o post se abrirá! Recomendo que leia antes de prosseguir), sabe que ele era o Main MC do grupo antes de ser dissolvido.

Bem, mesmo enquanto na banda, Diggy chegou a gravar dois álbuns solo, e ao sair, mais dois.
Não são muitas músicas se compararmos com SO, mas são boas. Enfim, contarei um pouco sobre ele aqui hoje!


A vida pessoal do Diggy-MO' é bastante sigilosa, então só o conhecemos a de artista (a única coisa pessoal que sei dele é o aniversário, nem o nome é revelado).

Mas podemos falar das músicas dele, certo?

As músicas do SOUL'd OUT são bem únicas, e diferente da maioria das bandas, que não necessariamente perdem a essência sem um membro, SO precisa de todos. As músicas dele em solo são muito diferentes, mesmo sendo ótimas.

Conheci-o em 2015, pouco antes de SO. Na época achava que as músicas solo dele eram do SOUL'd OUT também, mas engano meu. No ano passado com mais interesse em experiência corrigi essas confusões haha.

É muito nostálgico falar disso, ainda mais ouvindo JUVES:


Junto com ONE-VOW e VOODOO KINGDOM (sendo a segunda uma música de SO mesmo), foi meu primeiro contato com o Diggy, lembro-me de ouvi-la bastante por ser BGM de um mugen que jogava muito com meus amigos na escola, e antes do dormir gostava de dar uma ouvida também.

Mas dele era basicamente isso que eu ouvia. Ano passado trombei com o último álbum dele (de 2017 mesmo), BEWITCHED, que é MUITO bom. Admito ser o único que ouvi mais de uma vez, gosto bastante das músicas dele.

Uma capa "irada"!


Os outros álbuns são the First Night (de 2015):

Esse é realmente bom, mas não o ouvi inteiro mais de uma vez...apesar disso, recomendo Lovin' Junk como um belo início! AVISO: ALGUMAS LETRAS DELE SÃO EXPLÍCITAS.

Diggyism e Diggyism II (Não os ouvi completos uma única vez, mas gosto de algumas de suas músicas, até porque foi por elas que comecei minhas aventuras pela músicas Japonesas de nicho)!






Diggy tem alguns singles, mas especificamente dois citarei aqui no post, pois são bem conhecidos!
Stay Beautiful, que é um dos encerramentos do anime Bleach~
E... Bakusou Yume Uta, o terceiro de Soul Eater!

Não me aprofundei muito no Diggy como artista solo, mas gosto bastante do que já ouvi, principalmente de Bewitched. Mas não há como comparar com SOUL'd OUT.

Até hoje não ouvi todas músicas da banda, e não por seu pouco "fã" ou preguiça, mas sim por gostar de conhecer muito bem cada uma das músicas do grupo, que tem uma discografia razoavelmente grande - se eu dissecasse cada um dos álbuns/singles/coletâneas, daria um post bem completinho cada um - e, justamente por ser muito fã, eu não consigo simplesmente ouvir, gosto de analisar tudo, vez ou outra consigo perceber versos silenciosos ou separar "instrumentais" de fundo quando ouço com mais atenção, mesmo uma faixa que já escutei milhares de vezes.

Mas voltando ao Diggy, é de admirar o talento dele. A forma como tanto no SOLO, como em banda e/ou participações consegue desdobrar sua voz, em vários estilos.




Bem, desculpem se perdi um pouco o foco, mas é difícil contar sobre um artista que não partilha muito de sua vida, mas que mesmo assim possui um significado muito especial para mim, SO em geral me ensinou muita coisa só por música, sempre me alegrando independente do meu humor no momento.

Hoje, sendo aniversário do DIGGY-MO', gostaria de eu, um fã brasileiro lhe desejar: FELIZ ANIVERSÁRIO!!

おめでとうございます‼ ありがとうございました!Mr. Diggy‐MO'!


Antes de me despedir, há pouco mais de um mês (17/02), o blog completou 3 anos de sua primeira publicação. Fico muito feliz por ter esse espaço de divulgação do que gosto e minhas ideias, e gostaria de arrumar mais tempo para passar aqui. Se possível, divulguem para amigos e mantenham-se antenados no blog!

Não apenas um Feliz Aniversário para o Diggy, mas muito obrigado por cada um de vocês que deu um pouco de seu tempo tempo para ler o que escrevo aqui!!

Fico por aqui o/ 
Abraço, 
             Rocha.

P.S: Esse post foi escrito dia 22/03 no ocidente, mas quis preparar antes para publicar em um momento que fosse dia 23/03 tanto aqui, como no Japão, noia de fã haha.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Kimi no na wa - O seu nome

Olá, como vai?

Apesar de um certo hiato de posts aqui do blog, estou de volta para comentar sobre um filme que acabei de ver, Kimi no na wa (literalmente "Seu nome").
Já tinha ouvido falar bastante desse filme, e acho que quatro pessoas diferentes o recomendaram para mim, mas acabei deixando pra frente e hoje decidi ver por não estar conseguindo dormir.
Falarei brevemente sobre o que o filme se trata, criticarei alguns pontos dele e depois direi o que achei de forma mais pessoal. Terão spoilers, de nível médio. Eles prejudicaram para quem não viu ainda, mas também não tornam o filme sem graça, ele continuará divertido (apesar sem muitas surpresas).


Esse filme conta a história de Mitsuha e Taki (Ela vive em uma vila tradicional no interior do Japão e Ele na "Grande Tóquio" com uma vida bem mais agitada), dois jovens que sem um motivo prévio passam a trocar de corpo (entre si somente) de duas a três vezes por semana. Sempre que eles trocam de corpo, fazem anotações sobre o que fizeram para o outro não ficar perdido, pois não se lembram do que fizeram enquanto assumiam outro papel e não podem se contactar diretamente. Dessa forma, precisam aprender a conviver com essa nova e confusa rotina, ao mesmo tempo em que acabam se conhecendo intimamente sem nem perceberem (ou melhor, se verem ou conversarem!).

É muito interessante ver como o filme se desenvolve, e como os personagens crescem dentro disso. A história de fato é coerente, os elementos do roteiro são muito bem aplicados, mas isso não significa que o filme seja perfeito, sendo sincero, vi alguns problemas nele e os abordarei aqui. Muitos são bobos, mas são quase "clichés" que eu sempre vejo nos longa-metragens animados do Japão dessa década (que seguem um modelo inicial parecido).

Vamos lá~!

  • A trajetória da história é muito previsível. 
Então, literalmente na metade do filme, o Taki conclui que vive em um 'plano' diferente de Mitsuha, ou seja, estão situados em um local diferente do tempo-espaço. Mitsuha está vivendo três anos antes de onde Taki está. Antes de isso ser revelado, no exato momento que Taki estava no avião, eu já estava pensando "Esses dois vivem em um mundo diferente, está muito cedo para se encontrarem".

E de fato era isso...na hora eu pensei serem literalmente dimensões diferentes, mas era apenas o plano temporal que se diferia... mas enfim, quando ele estava no Café e mostrou o desenho, por coincidência eu comecei a pensar "Ah, já sei ela é de uma época muito anterior a dele". 

Bem, eu errei aí, era pouco antes. Mas de fato eu fiquei muito em dúvida logo após concluir isso, por causa do nível de tecnologia da Vila de Mitsuha. 
Enfim, quando esse ponto se provou, me desapontei um pouco, não muito, mas foi um pouco chato eu adivinhar isso bem antes...

Além de descobrir a diferença temporal, descobriu que aquela vila foi atingida por um meteorito e quase todos morreram, incluindo a Mitsuha...
Também consegui adivinhar várias outras coisas, ele tentando salvar a vila e falhando...depois ela tentando continuar de onde parou, tudo dando bem errado no final...o destino imutável, onde todos morreriam...exceto personagens-chave!
 
Milagrosamente, e sem explicação (diferente do que a última cena dela na vila demonstra...), novos sobreviventes! Entre eles, o que de fato importa: MITSUHA!

Mas demorou para os dois se encontrarem, ambos já deviam ter uns 20 anos, e simplesmente na sorte. Olha, tudo bem que eu já vi muitas obras nesse estilo (não só do Japão), então faz sentido eu conseguir adivinhar muitas coisas, tenho certeza de que pessoas mais leigas nesse campo conseguiram ver o filme sem muitos problemas.


  • Excesso de mistiscismo desnecessário e maçante.
Essa reclamação não é algo popular de se fazer, ainda mais entre um fã de animes, mas enfim...

Uma coisa que tem me cansado muito é a quantidade de misticismo bobo que andam enfiando em animes para seguirem a algum padrão atual da indústria (!?).
É forçado, muitas vezes com teor depressivo completamente artificial (Estou falando de você, cinco centímetros!). Parece que é por pura tabela, se quer incorporar certos conceitos numa obra, que seja de forma adequada.

Destino entrelaçado, mudar algo destinado a acontecer (ou que já ocorreu, como no caso de Kimi no na wa), um sentimentalismo forçado e moderno (que arrisco dizer, não é algo comum do Japonês normal). 

Já cansou, isso é um dos maiores culpados de essas obras serem previsíveis...
Mas a depende de como e o quê - consigo aguentar bem. E nesse filme não me incomodou ao ponto de parar de assistí-lo, mas achei interessante comentar...

O final dá uma pequena impressão de ser meio corrido, mas até que ocupou o tempo certo.

No mais, é isso. Gostei do filme!

Recomendo, ainda mais para se assistir em família (apesar de eu ter visto sozinho haha).

Nota: 7,0/10.

Por quê? O enredo é meio falho, a trilha sonora torna o filme imersivo e as personagens são colocadas de forma que ocupem seus "cargos" corretamente, sem aparições desnecessárias.

Ainda não li o mangá, mas o farei! Daí, trago uma pequena comparação.

Fico por aqui, voltarei quando der com mais um post!

Um abraço, espero que tenham gostado e não se esqueçam de comentar, sayonara!



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SOUL'd OUT - A Alma do J-Hip Hop

Olá, como vão?

Hoje trago um post que foge do padrão do blog, mas não tanto, sobre uma banda japonesa chamada SOUL'd OUT.

Primeiro CD do grupo.
Diferente do post sobre Queen, este será um pouco mais curto. Não falarei sobre a vida pessoal dos membros do grupo e não citarei muito sobre as letras das músicas, pois essas informações só podem ser encontradas em sites Japoneses, então eu gastaria horas de meu tempo tentando traduzir de forma razoável (mesmo com ajuda de alguns contatos meus) e ficaria algo mecânico, Queen eu já conhecia há bastante tempo, então basicamente só precisei buscar ano de publicação dos Álbuns, pois até sobre os membros eu tinha um bom conhecimento. Logo, falarei mais sobre minhas experiências ouvindo o grupo.

Sem mais delongas, vamos ao post!


SOUL'd OUT é um grupo de J-Hip Hop (Como o nome diz, um hip hop originado do Japão) que teve sua origem em 1999 e encerrou-se em 2014, através de um anúncio em sua página oficial do Facebook, pois um dos membros precisava sair por motivos pessoais. O grupo foi formado de 3 membros, Diggy-MO' (Main MC), Bro.Hi (Back MC/Human Beat Box) e Shinnosuke (Trackmaster/Compositor). Após o dissolvimento do grupo, Diggy-MO' passou a seguir carreira solo integralmente (futuramente pretendo fazer um post sobre essa carreira solo dele, mas não aguardem nada).

Conheci o grupo em meados de 2015, geralmente na minha aula de informática da escola eu jogava um MUGEN de JoJo com alguns colegas da escola, e entre as BGMs do jogo, haviam algumas músicas do grupo. Escutei-as, acabei gostando e resolvi procurar algumas outras deles pelo Youtube, algo que não me arrependo, pois fiquei extremamente viciado com elas.

Mas, basicamente era só isso, escutava algumas músicas deles no telefone, mas não havia parado para pesquisar muito do grupo, com exceção de algo que falarei mais a frente.

O interesse neles veio há mais ou menos uma semana, quando estava testando o Spotify do PS4, resolvi ver se haviam músicas deles por lá e achei algumas novas não deles, mas sim do Álbum mais recente do Diggy-MO', chamado "Bewitched". Ouvi algumas músicas e já estava gostando bastante, o que me deu vontade de voltar a ouvi o grupo com frequência (o que estou a fazer neste momento), foi aí que descobri que eles não estavam mais reunidos e que o MAIN MC estava seguindo solo.

Fiquei meio chateado, mas aí pensei: "Bem, eles não lançaram mais músicas novas juntos, mas eu posso ouvir as antigas". E foi o que fiz, comecei a pesquisar e achei diversas músicas interessantes.
Interessantes é eufemismo, pois elas conseguiram fazer Yes cair pro post de terceira banda favorita do editor aqui.

Capa do Álbum Starlight Destiny.
A banda possui músicas com os mais variados ritmos e temas, além de terem possuído uma notável influência na Cultura POP japonesa, músicas do grupo foram usadas como temas de muitos animes e novelas/seriados japoneses. 

Agora vamos para as músicas:
Escolhi cinco. Não são necessariamente as 5 melhores e nem as que mais gosto, tal como a ordem não é importante. Apenas tentei selecionar as 5 melhores para iniciar-se com o grupo.


VOODOO KINGDOM possivelmente é a música mais conhecida do grupo, lançada no single GROWN KIDZ/VOODOO KINGDOM para ser tocada como encerramento no lendário filme de Phantom Blood, a primeira Parte de JoJo's (do que eu sei do filme - já que não é possível encontrá-lo em lugar algum - é a única coisa boa dele, junto do traço).

O interessante da música, é a letra: ela é feita na perspectiva do Dio, antagonista principal de PB.
Para não deixar o post muito grande, aqui vai um link com a letra da música em Ideograma, Romanji e Inglês: http://jojo.wikia.com/wiki/VOODOO_KINGDOM

Aproveitando, esse não é o único contato oficial da franquia com a banda, já que é um dos poucos grupos nacionais (japoneses) que Araki-sensei realmente é fã, o mangá contém algumas referências à banda, tal como o personagem da parte 7 (Steel Ball Run), Magenta Magenta. Da mesma forma, eles também curtem o mangá.

Magenta Magenta de JoJo.
Ele também desenhou a capa do Single Catwalk:


Indo para o primeiro álbum deles, de nome homólogo ao do grupo, SOUL'd OUT.
Mostro-lhes minha música favorita do grupo:


Livin' for Today é sensacional, possui um ritmo muito agradável, belíssimo, com vários instrumentos diferentes de fundo (pelo menos ao gênero) e o vocal não decepciona nada, pelo contrário.
Gostaria da letra em Romanji se alguém puder disponibilizar-me, pois só a tenho em Ideogramas (isso é fácil de achar). As partes em inglês já me impressionam demasiadamente.

Escutem essa, creio que não haverá arrependimento para quem curte o gênero (não agrada a todos, mas quem gosta, gosta muito!).

Antes de prosseguir a próxima, gostaria de mencionar a genialidade das capas dos Singles/Álbuns. Todas são compatíveis com o conteúdo que apresentam, apesar dos curiosos nomes.
Demonstram como o processo de ocidentalização do Japão funcionou de forma boa, sem ser anti-nacionalista e alterar a personalidade única do país, diferente do que o ocorre na Coréia do Sul, principalmente para os adeptos de K-POP (tanto como gênero musical, como visual).


Prosseguindo, a música acima é Curtain Call. Essa era minha favorita até eu ouvir Livin' for Today, mas ainda sensacional. Gosto do instrumento de sopro (ou seria metal?!) do fundo (acho que é um Sax haha). A voz do Diggy-MO' é bem única, o tom empolgado do som é legal, principalmente no refrão.



Gasoline de início é estranha, mas conforme você escuta, é possível compreender a sonoridade da música melhor. É estranho dizer, porém...ela é diferente e ao mesmo tempo não é.
Existe a essência da banda lá, mas ela foge um pouco de certos padrões de rima das outras músicas.


Para encerrar, Megalopolis Patrol! A música é incrível, bela para encerrar esse tópico. A BGM (Música de fundo) combina bastante com a letra. O Back Vocal foi bem trabalhado, achei fantástico.
Escutem por si e entendam do que estou falando.

 SHOCK YOUR CODE "MEGALOPOLIS PATROL"
直 YOUR SOUL 音響 SPECTRO
SHOCK YOUR CODE "MEGALOPOLIS PATROL"
Yo! Get a taste of S.O wave A-yo S.O space Here we go!

Bem, agradeço a quem leu até o final, mesmo para aqueles que não curtiram a banda de início, é bom experimentar coisas novas! (E novamente, quem não gostou tem mau gosto!!).

Vou indo pessoal, até a próxima, e um ótimo fim de dia das crianças e Nossa Senhora Aparecida para todos!

Abraços.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Aku no Hana - As Flores do Mal


Olá, como vão?

Como de praxe, sumo e reapareço, por várias questões pessoais, falta de um espaço e tempo bacanas para escrever...

Mas enfim, aproveitando o feriado (que é só quinta para mim, já que Sábado tenho aula e-e) e a grande quantidade de ideias fluindo, resolvi trazer coisas novas pro blog!

Hoje falarei sobre um mangá que recentemente li, bem curtinho - Apenas 57 capítulos, totalizando 11 volumes - Como diz o título, seu nome é Aku no Hana. 

Kasuga Takao
Saeki Nanako
Aku no Hana é um mangá Shounen que trabalha com Romance e temas Psicológicos razoavelmente profundos (o suficiente para engajar corretamente na trama).

A história inicia-se quando Kasuga Takao, um jovem amante de leitura, esquece seu livro na sala de aula, e ao adentrá-la para buscá-lo, resolveu bisbilhotar as coisas de Saeki Nanako, garota qual é sua paixão. 
Justo no momento em que pôs suas mãos na roupa de ginástica dela, escuta um barulho e desesperado, enfia as roupas em sua mochila. Um dia após isso, boatos de um "ladrão pervertido" surgem e ele entra em desespero, consumido pela culpa de seu ato.

As coisas tomam um rumo diferente quando, Nakamura, uma colega de classe taxada de 'estranha' alega tê-lo visto cometendo o crime, e em troca de não revelar o que ocorreu, eles teriam de formar um 'contrato'.

Esse contrato, dá a Nakamura certo controle de Kasuga, que usa-o (lê-se, abusa dele) para secretamente cometer diversas ações de cunho duvidoso e de certa forma, perverso (falo no sentido obsceno), ao mesmo tempo em que ele tenta finalmente aproximar-se de sua paixão, ou como ele mesmo refere, sua "Vênus/Musa", Saeki.

Sawa Nakamura.

O primeiro arco do mangá explora não só a relação triangular entre Kasuga e as duas raparigas (note que eu não disse triângulo amoroso, apesar de os sentimentos de Takao serem confusos), mas também algumas questões filosóficas do poeta Baudelaire (não entrarei a fundo sobre isso) e os sentimentos dos personagens em geral, suas personalidades e etc.

A arte do mangá também é muito interessante, possuindo um toque de realidade que entrelaça-se perfeitamente com o roteiro dos personagens, as expressões faciais e demais movimentos corporais deles mostram ao leitor de forma clara e precisa como os personagens estão, não é apenas uma questão de 'alegria ou tristeza'. É algo demasiadamente profundo, como acabo de dizer, um real bem interessante.

Admito que o primeiro arco do mangá não chamou-me tanta atenção seja por enredo ou pelas personagens puramente falando, e sim, a arte adjunta da escrita emocional acompanhada delas.
Inegavelmente, não há nada mais interessante no mangá que as emoções presentes e as relações que elas geram.

Exemplo da arte e do impacto dela nas personagens.
Bem, à partir de agora falarei um pouco sobre o segundo arco do mangá, que é quando passei a ter mais interesse pelos elementos que reclamei acima. Se não estás para ler o mangá e não quiseres spoiler, apenas role até onde indico o fim dos spoilers (não haverão imagens com spoilers) e prossiga sua leitura. Para ir direto a parte onde os spoilers terminam, dê ctrl+f e escreva "fim dos spoilers" (retirando as aspas, claro! 😉).

INÍCIO DOS SPOILERS!


O primeiro arco é encerrado com Nakamura e Takao assumindo tudo que haviam cometido publicamente, e logo após, cometeriam um duplo suicídio incinerando o festival que ocorria na cidade.
Mas, subitamente, Nakamura empurra Takao para ele não ir junto com ela, mas acaba que a mesma também é capturada.

Com a cidade sabendo de seus crimes, não restavam aos seus pais nenhuma outra opção:
Separar os dois e mudarem-se para cidades distantes sem saber o paradeiro um do outro.

Tempo passa, Takao já estava em outra cidade cursando o Ensino Médio, razoavelmente adaptado, com novos amigos, mas tornando-se vazio, nota-se claramente que ele perdeu suas emoções ou qualquer vontade de viver após o ocorrido. 
O interesse pela leitura havia sumido após juntar-se à Nakamura, então nem isso ele tinha para fazer.

Mas tudo mudaria com um certo evento, ao passar por uma livraria, encontrou uma colega de sua escola (Tokiwa Aya) pegando justamente seu livro favorito (Les Fleurs du Mal) e então, assim nasceria uma estranha amizade.

De início, ele apenas pegava livros emprestado dela enquanto a passava recomendações, mas isso foi mudando. Repentinamente começou a retornar com sua fome por leitura e por fim passou a sentir alguma forma de paixão por ela, apesar de Tokiwa possuir um namorado.



A relação dos dois desenvolve-se de uma forma bastante interessante. Tokiwa era insegura em seu namoro, pois ao fundo, não sentia afeto pelo parceiro e Takao (ainda que internamente) possuía as memórias de sua antiga cidade, principalmente de Nakamura e Saeki.

Essa relação ajuda o guri a construir uma nova personalidade (de certa forma) para substituir sua antiga, tal como Tokiwa a passa a descobrir mais sobre si.

Durante esse intervalo de amizade, diversos eventos ocorrem, inclusive ele encontra Saeki, sua ex-namorada e Vênus na rua, descobrindo que moravam próximos e acabam conversando entre si;
Ele conhece os amigos e o namorado de Tokiwa;
E sobre as pessoas da cidade.

Obviamente, as coisas transformam-se e ambos passam a ter afeto mútuo (e bizarro, digo particularmente) entre si, resultando em um novo namoro.

Mas Nakamura, mesmo que pouco, existia dentro de Takao, seja como um empecilho no namoro ou sua vida.


No fim, precisando retornar à cidade natal para o enterro de seu avô, corajosamente ele enfrentou o que havia deixado para trás e buscou descobrir onde estava aquela que buscava.



E, sim, eles se encontram. Acompanhado de Tokiwa, os três conversam.
Agora, porém, não existe mais aquele sentimento de antes, aquela relação obscena e violenta do início morreu, e essa cena comprova isso.



 

Antes de começar o encerramento do post, gostaria de fazer um comentário (talvez óbvio), algo que concebi através de minha leitura que pode estar correto ou não. É algo que eu poderia verificar pela internet, mas não me é interessante fazê-lo, mas digam-me que acham de todo modo.


Enfim, que quero dizer tem haver com esse arco final do encontro com a Nakamura.
Se analisarmos o diálogo dela, as ações e o que a arte revela-nos, ela ficou retardada, literalmente, não estou caçoando. Escolhi essa foto justamente para reforçar o que digo. E os fatos são claros, deixar sua vida fácil e livre com o pai para viver isoladamente com a mãe, que é citada pelo mesmo como "de temperamento/personalidade igual a da filha", imagino que houve uma possível relação de dominância e conflitual entre as duas, isso sem contar que a rapariga deve ter passado por diversos tratamentos clínicos (terapia, psicóloga, etc...) devido aos atos de rebeldia dela, que independente do lugar no planeta (seja no real ou, na maioria das vezes no fantasioso também) é repreendido fortemente. Por isso ela não soube explicar para Takao porquê o empurrou (apesar de que dá para descobrir isso com uma leitura reforçada - atenção - no capítulo do evento, mas isso deixo que descubram sozinhos), suas frases simples e com atos totalmente pacifistas, radicalmente diferente do que ela era anteriormente. Eu diria que a organização do cabelo é outro fator, mas não afirmo com certeza.


Com todo mundo (teoricamente) feliz, temos o encerramento do segundo arco do mangá e o abrimento de um epílogo com duração de 2 capítulos, mostrando um pouco da vida adulta do Takao e sua namorada quase para noiva (Tokiwa - obviamente - e, que no decorrer do epílogo casa-se e tem um filho com ele), além de cenas mudas mostrando o restante dos personagens-chave.

O capítulo restante, de número 57, nada mais do que uma demonstração de como a Nakamura sentia-se na primeira cena do mangá. É interessante de se ver.






FIM DOS SPOILERS



Vale a pena ler? Vale sim, bastante.
O mangá tem algumas falhas, que são compensadas com o tempo. Não é nada genial, mas também não é qualquer coisa.

Como dizem as nossas ótimas scanlators caseiras: "É realmente algo" (vou te contar, essas traduções literais me deprimem demais -.-)

Temos um enredo mediano que vai gradualmente tornando-se bacaninha, uma leitura muito fluída, personagens que não se destacam tanto, mas possuem uma construção decerto adequada e diria que o mais chamativo é o traço.

Bem, para encerrar, darei minha nota para alguns pontos de destaque do mangá:

Ambientação: 8,8
Arte Visual: 9,0.
Conceitos: 7,0.
Construção de Personagens: 9,0.
Enredo: 8,4.
Personagens: 7,2.

Nota Geral: ~8,23.

Acreditem ou não, essas notas não são aleatórias, cada décimo veio de uma influência grande.

E um BÔNUS:


Aku no Hana tem um anime!

A animação ficou estranha, usaram de uma técnica que não combinou com o conceito original. Eu até gosto dessa técnica, mas não tem nada a ver com Aku no Hana, se fosse um mangá de comédia e com investimento melhor...

O anime não fez sucesso, as vendas de DVD/BD foram uma porcaria e mal passaram de 50 na pré-venda, até cancelaram (os DVDs e a segunda temporada).

Se vale a pena ver, eu não sei. Apenas 13 episódios, para quem curtiu o mangá e tem tempo livre, é uma boa.

Atualmente eu prefiro voltar a publicar cá, então melhor não para mim.

E é isso, digo-lhes adeus por então!

Muito obrigado para quem leu até o final, continuem dando suporte pro blog e não se esqueçam de curtir a página do facebook, tenham um bom feriado!

P.S.: Pretendo fazer uma publicação sobre Persona 5 esse mês, mas ainda não tenho certeza de quando mais exatamente, apenas aguardem!